Celebridades

Em live com Bruno De Luca, Lucas Penteado fala do novo visual: ‘em homenagem a mim quando criança’

Em live no Instagram, o apresentador Bruno De Luca entrevistou o ator e ex-BBB Lucas Penteado no quadro ‘Vinho com De Lucca’, na noite desta sexta-feira (11). Buscando trazer ao seu público assuntos relevantes e de grande importância, De Lucca escolheu como tema central do bate-papo entre os dois o ‘bullying’. Os artistas contaram alguns episódios que sofreram na infância, mas antes, De Luca não pôde deixar de saber mais sobre o novo visual de Lucas, que está fazendo uma transição capilar para um black power, após um bom tempo raspando os fios.

“Meu nome é Lucas Penteado, mas eu tô sempre careca. Esse penteado é especialmente em homenagem a mim mesmo quando era criança, porque eu queria ter tipo o seu, assim. Eu achava que o meu cabelo estava errado e que eu tinha que ter o cabelo alisado e relaxado. Eu relaxei o cabelo também para mostrar para as pessoas que elas podem fazer o que elas quiserem. Ela têm que sair do padrão que a sociedade dá e o padrão que a sociedade diz que não tem que seguir também”, disse Lucas sobre a mudança de estilo.

Em seguida, Bruno De Lucca contou que sofreu muito bullying na época da escola. “Eu estudava em um colégio de padres, então não tinha aula de artes ou teatro. Então eu fiquei o tempo todo tentando me adaptar aos outros pra poder ser aceito. Eu não falava nada pro meu pai, porque naquela época não existia bullying, era considerado frescura. E se voltasse pra casa chorando e reclamando de algo, você apanhava. Então eu não tinha nem como falar pro meu pai. Psicólogo era coisa de problemático e eu tentava enfrentar aquelas pessoas que eu lembro o nome de cada uma delas até hoje. Eu tinha menos de 10 anos, mas lembro o nome e sobrenome das pessoas que me maltratavam, que falavam que eu era muito gordinho. Passei muito tempo da minha infância tentando arrumar amigo. Minha mãe obrigava meu irmão a me levar para as festas pra eu fazer amigos, porque ninguém queria ser meu amigo porque eu não sabia jogar futebol”, conta o apresentador.

Bruno disse ainda que se sentiu confortável de debater o tema publicamente após ver o que Lucas passou com seus colegas de confinamento no ‘BBB 21’. “Até assumir essas coisas que eu tô falando agora em público, eu tinha vergonha, porque, enfim… Eu aprendi muito vendo esse Big Brother, comecei a me enxergar como o garoto que tentava ser aceito e não era. E de repente, quando eu comecei a fazer novela, aos 10 anos, todo mundo quis ser meu amigo. Foi aí que eu comecei a perceber o interesse do ser humano quando você é famoso. Mas ao mesmo tempo que uns começaram a ser legais comigo, outros, na rua, começaram a me xingar aleatoriamente. Então eu andava com meus pais e começavam a me xingar. Fabinho era o nome do meu personagem na Malhação, em 95. E eu andava na rua e me chamavam de ‘Fabinho, seu gordo, vindo, vai tomar no c*. E eu de mãos dadas com a minha mãe e ela, às vezes, virava bicho, queria partir pra cima, brigar com as pessoas e eu ficava com mais vergonha ainda. Fui criando uma casca, uma segurança, porque na Globo eu lidava com pessoas de todos os tipos, todas cores e orientações sexuais. E isso começou a me fazer ser uma pessoa muito aberta, um cara livre de preconceitos e julgamentos”.

Lucas também deu seu relato: “Eu era o negrão da escola, o outro negrão era o meu irmão e tinha mais um, que era meu amigo. […] Eu tinha muitos apelidos ligados ao meu cabelo e que eu não vou reproduzir agora. Um que eu vou reproduzir, que foi o que mais me atingiu, porque eu era magrinho e alto e meu cabelo era um blackzinho compacto. Então muita gente me chamava de cotonete preto. Quando eu relaxei e alisei o cabelo, piorou (o bullying). E aí eu fui entender o por que a galera me zoava. Eu percebi que eles não me zoavam pelo meu cabelo, pela minha boca grande ou pelo meu nariz… Falaram que eu era fedido, que eu tinha cecê, e não era nada disso. Era porque eu era negrão. E eu não entendia essa diferença”.

Segundo o ex-BBB, ele só começou a entender que o bullying era motivado pelo racismo graças a uma de suas professoras. “E eu entendi pela professora. A professora não chegava perto de mim. Ela fazia como se tivesse nojo de mim, real mesmo. Então ela ia na mesa de todo mundo, falava com todo mundo, mas não ia na minha mesa e nem falava comigo. E qualquer coisa que eu fizesse, ela chamava meus pais. Era um bagulho absurdo. Ela não ia com a minha cara, não gostava de mim e não gostava de negrão de jeito nenhum”, conta.

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Karla Gobnes

Jornalista apaixonada pelo universo digital e pela produção de conteúdo online.

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